
De Niterói para o mundo, Leila Diniz
quebrou tabus de uma época em que a repressão dominava o Brasil.
O primeiro
grande escândalo que causou foi exibir sua gravidez na praia de biquíni e depois
chocou o país dizendo: "Transo de manhã, de tarde e de
noite".
Leila Diniz era considerada uma mulher a
frente do seu tempo, um exemplo de mente aberta e liberal sem ser vulgar,
era ousada e detestava convenções, e por isso foi invejada e criticada pela
sociedade machista das décadas de 1960 e 1970 que até hoje insiste em se manter no
poder. Era malvista pela direita opressora, difamada pela esquerda ultra-radical
e tida como vulgar pelas mulheres da época.
Leila falava abertamente da sua
vida pessoal sem nenhuma vergonha, e entre todas as entrevistas que deu a
concedida ao jornal O Pasquim em 1969 foi a que causou maior furor no país onde
além dos muitos palavrões ainda disse que “Você pode muito bem amar uma
pessoa e ir para cama com outra. Já aconteceu comigo." o que rendeu ao
jornal altos índices de venda.
Depois dessa publicação foi instaurada a
censura prévia à imprensa, conhecida como Decreto Leila Diniz. Logo Leila
teve de se esconder no sítio do colega de trabalho e apresentador Flávio
Cavalcanti por ser perseguida pela polícia política sob a acusação de
ajudar militantes de
esquerda. Alegando questões morais a Rede Globo não renova o contrato de Leila
como atriz que de acordo com Janete Clair "não haveria papel de prostituta nas
próximas novelas."
Meses depois Leila reabilita o teatro de revista e começa
uma curta e bem sucedida carreira de vedete. Morreu em um acidente aéreo em 14
de julho de 1972, aos 27 anos, no auge da fama quando voltava de uma viagem pela
Austrália. Marieta Severo e Chico Buarque de Hollanda cuidaram da sua filha,
Janaína Diniz Guerra.
Leila Diniz, A Mulher de Ipanema,
defensora do amor livre e do prazer sexual é sempre lembrada como símbolo da
revolução feminina, que rompeu conceitos e tabus por meio de suas idéias e
atitudes.
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"Sem discurso nem requerimento, Leila
Diniz soltou as mulheres de vinte anos presas ao tronco de uma especial
escravidão."
- Carlos
Drummond de Andrade
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